Perspectivas e desafios para o comércio exterior em 2020

Decisões nacionais e cenário econômico internacional devem interferir nos resultados do segmento do comércio exterior

Perspectivas e desafios para o comércio exterior em 2020

Coronavírus, redução da Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC) e saída do Brasil do grupo de países considerados “em desenvolvimento”. Esses são alguns dos acontecimentos que podem impactar positivamente e/ou negativamente os resultados das importações e exportações no comércio exterior brasileiro em 2020.

 

“Se tratando das importações brasileiras, considero 2020 um ano atípico quando observamos algumas situações bem distintas que ocorreram recentemente no cenário econômico internacional”, conta Marcelo Scorsato De Rosa, coordenador do Curso de Comércio Exterior da Universidade Nove de Julho (UNINOVE) e mestre e doutor em Administração.

 

Comércio exterior: 6 situações de impacto

 

  1. Coronavírus (Covid 19): o vírus que tomou proporções mundiais e está preocupando a gestão da saúde, também deve impactar os resultados no comércio exterior. Isso porque, a região de origem do Coronavírus, chamada Wuhan, na China, é altamente industrializada e responsável por grandes exportações de automóveis e aparelhos eletrônicos.
  2. Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC): a proposta do Governo Federal em reduzir a TEC, que hoje é 14% (em média), deve incentivar as importações não só para o Brasil, mas para o bloco econômico (Mercosul) como um todo.
  3. Paralisação de linhas de produção: um ponto de atenção ressaltado pelo professor Marcelo, é que aqui no Brasil, na região de Campinas (SP), onde estão as empresas Samsung e Motorola, suas linhas de produção foram paralisadas devido a escassez de componentes eletrônicos importados da China.
  4. Câmbio desfavorável para importações: esse é um grande entrave para importação de produtos, sendo que essa mudança no câmbio é uma das estratégias do Governo Federal para alavancar as exportações, desvalorizando o real frente ao dólar – o que prejudica as importações.
  5. Saída da lista de países “em desenvolvimento”: recentemente, o Presidente Donald Trump dos Estados Unidos da América (EUA), por meio do Departamento de Comércio dos EAU, retirou o Brasil da lista dos países em desenvolvimento. “O anúncio tem potencial de restringir os benefícios comerciais que os países classificados como “em desenvolvimento” tem em relação às tarifas menores de importação, além de que, o Brasil também deixará de receber tratamento diferenciado em relação a períodos mais demorados para a implementação de acordo comerciais”, explica o professor da Uninove.
  6. Digitalização em alta: agora, os documentos de despacho aduaneiro de importação digitalizados, de acordo com o Decreto nº 10.278, de 18 de março de 2020, passam a ter o mesmo valor legal, sendo assim dispensada a necessidade de apresentação física dos documentos originais, o que facilita e agiliza o despacho de importação. Adriana Santos, sócio-diretora da Atuali, reforça a importância de ler o decreto para cumprir todos os requisitos obrigatórios e garantir a validade da documentação enviada com esse formato. Um exemplo, é que a documentação digitalizada precisa ser colorida.

 

Desafios: como crescer?

 

Para Marcelo, uma forma de olhar o crescimento e desenvolvimento do país é entendendo que tipo de produto ele está importando. “Se a importação for de produtos primários (minérios, frutas, bens de consumo em geral), pode-se considerar que não são produtos que refletem o crescimento industrial do país, apenas um aumento de consumo interno momentâneo. Por outro lado, se as importações forem de máquinas e equipamentos, por exemplo, o país está no caminho do desenvolvimento e aperfeiçoamento do seu parque industrial; medida saudável para qualquer nação”, afirma.

 

Olhando para o analista de importação, o principal desafio em 2020 está ligado à capacitação. Com a chegada da Declaração Única de Importação (DUIMP), este profissional precisará se capacitar para corresponder à nova realidade de processo.

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